A catequização contemporânea no sistema carcerário brasileiro

a busca incessante em docilizar e domesticar corpos negros para obedecerem ao Estado

Autores

  • Carolina Cardoso da Rosa Vicosa Instituto Facuminas
  • Diego de Matos Noronha Universidade Federal do Pampa

Palavras-chave:

Religião de Matriz Africana, Catequização, Racismo Estrutural, Religiões Pentecostais

Resumo

Este artigo visa estimular reflexões sobre a assistência religiosa realizada no sistema carcerário brasileiro ao analisar o respeito à laicidade do Estado e à liberdade de crença religiosa dos homens e mulheres mantidas em cárcere. Assim, entre os desacordos de maior relevância na atualidade, temos a Catequização Contemporânea no Sistema Carcerário Brasileiro como tema central deste artigo, trazendo em sua delimitação o Racismo afro teológico como intersecção do estudo. Tem como método de pesquisa dedutivo doutrinária e procedimento de análise de biografias. A motivação inicial da presente pesquisa partiu da constatação de que entre o objetivo do sistema carcerário no Brasil e a sua real situação, existe um abismo de contradições. A situação atual do sistema carcerário brasileiro é alvo de críticas entre a sociedade e entre as organizações nacionais e internacionais de direitos humanos, pois no contexto em que se apresenta, parece caminhar na contramão daquela que deveria ser a sua finalidade, qual seja a recuperação do preso. Portanto, com este artigo é possível verificar o descaso que o estado tem com corpos negros e seu direito garantido à laicidade, no que se refere a manifestações da religião de matriz africana e à manifestação do racismo estrutural no campo prático do cárcere brasileiro.

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Publicado

2026-03-11

Como Citar

CARDOSO DA ROSA VICOSA, Carolina; DE MATOS NORONHA, Diego. A catequização contemporânea no sistema carcerário brasileiro: a busca incessante em docilizar e domesticar corpos negros para obedecerem ao Estado. Revista da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 2, n. 37, 2026. Disponível em: https://revista.defensoria.rs.def.br/defensoria/article/view/708. Acesso em: 11 mar. 2026.